Contos de peão – A ESTROVENGADA

    Nesta manhã (domingo, 21 de março de 2010), me passou algo esquisito. Acordei normalmente, por volta das 7:00hs, tomei café e fui ler como de costume. Na minha casa só estavam meu pai e eu. Meu pai estava “chapado”, meio que desmaiado na cozinha, sentado em uma cadeira debruçado sobre a mesa.
O cara já tava bêbado!!! Mas este não é o fato. Um amigo do meu pai estava capinando o mato nos arredores do terreno, que por sinal estavam precisando muito. Serviço terminado (não sei como, ele também estava bêbado), chamou meu pai para avisar. Como havia começado a garoar, ele ficou no corredor da casa, esperando a chuva dar uma trégua. Fui falar com ele, então ele começou a contar uma história que havia se passado com ele na semana anterior. O apelido do cara é Binladen! Se liga no cara: baixo, barba mal-feita (daí o apelido), aparência bem matuta (lembra muito o jeca Tatu).

    “Rapaz, esses mato* tava muito grande. Achei 2 escorpião na parede desse seu moço aí da frente. Mas semana passada…(pausa dramática ou porque ele tava bêbado e com a memória alterada) …seu tio sabe, seu pai sabe e sua mãe sabe (como assim?). Eu tava capinando o mato do rapaz lá de cima (de um anjo?!?) e aí encontrei uma assim: (fez um gesto desenhando uma linha desde o pé até a barriga) 1 metro!!! (Continuei na dúvida, mas por conta do bafo do cara, preferi não pedir que ele falasse do que se tratava, mas ele falou) Era uma daquelas… (memory error) … vermelha, uma listra vermelha, uma listra preta, uma listra branca… uma listra vermelha…
Preta de novo (eu corrigi)!
– …Isso! E outra vermelha… era uma daquelas… (fatal memory error)
– Coral?
– Isso! Coral. Eu estava com uma bota até aqui (até o joelho), de borracha. Ela veio: CRAW! (Cobra faz CRAW?!?). Peguei-lhe e dei só uma (agora é que eu quero ver…) ESTROVENGADA! (Quê?!?! Vamos consultar o dicionário do peão: “Golpe que arregassa dado com a estrovenga.”). Peguei ela, coloquei num pote velho de NESCAFÉ (viram? Isso sim que é re-uso) e fui mostrar pro prefeito… pro Gilberto CASSAPA!!!

CASSAPA!!! CAAAAAS-SAAAAAA-PA!!! Aí eu não aguentei… corri pra pegar o gravador, mas enquanto eu estava procurando a bateria, ele chamou.
Ô rapaz! Já tô indo! (Putz! Ainda não acredito que não consegui registrar isso… por pouco!)
Ah! Manu! Já tá indo (eu, inconformado)?!?
Já! Fala pro seu pai que já tá tudo feito aqui. Falo aí! (Saiu bambeando, as pernas estavam trêmulas como de um… bêbado!?!).”

Diante disso tudo concluo: como é bom ser peão!

*A linguagem não foi alterada para ser fiel ao fato.